LUÍS ANTERO FIELD RECORDINGS

Mês

março 2012

6 publicações

# 81 | março 2012 | critica ao disco O Rio/The River

image

http://thefieldreporter.wordpress.com/2012/03/12/80/

Mar 20, 2012
# 80 | março 2012 | critica ao CPOV (Teatrão, Coimbra) na Via Latina

image

http://www.revistavialatina.com/?p=1933

Mar 20, 2012
# 79 | março 2012 | Paisage Sonoro y Netlabels | ECO

image

Paisage Sonoro y Netlabels

18 março, madrid, matadero

Mar 8, 2012
# 78 | março 2012 | CPOV no Teatrão, Coimbra

image

Mar 7, 2012
# 77 | março 2012 | Sadayatana editado na Buddhist on Fire

image

Sadayatana (a tribute) @ Buddhist On Fire

o programa de rádio Sadayatana, do norte americano John Tocher, tem incluído em muitas das suas emissões algumas faixas minhas ou de artistas editados pela Green Field Recordings, a netlabel portuguesa dedicada exclusivamente a edições com gravações sonoras de campo, da qual sou responsável. Sadayatana (a tribute), como o nome indica, é uma homenagem a este programa de rádio e ao seu curador. ao longo de 35 minutos, com base em recolhas sonoras, eletrónica e guitarra elétrica preparada, constrói-se uma narrativa sonora na tentativa de espelhar o ambiente que habitualmente se ouve em Sadayatana.

Luís Antero - field recordings, electronics and electric guitar

Recorded in january 2012, in Oliveira do Hospital, Portugal

This soundwork is a tribute to Sadayatana, a radio show curated by John Tocher www.luisantero.yolasite.com

Mar 7, 2012
# 76 | março 2012 | Vide, Uma Paisagem Sonora Fluvial - os textos

image

Vide Water Soundscape | Vide, Paisagem Sonora Fluvial @ bandcamp

01. Vide, Paisagem Sonora Fluvial  (15:54)

Esta peça sonora foi produzida com base em recolhas realizadas no “berço” de Vide, uma aldeia serrana do concelho de Seia e porta de entrada no Parque Natural da Serra da Estrela, mais propriamente na “”fanjunqueira” que tem um moinho e um lagar…”.
Há já algum tempo tinha pedido ao amigo João Orlindo, autor dos textos que acompanham esta edição e conhecedor profundo do património da sua freguesia, o favor de escrever alguns apontamentos sobre o local onde se realizaram as recolhas sonoras. O resultado é o que agora se apresenta, na esperança de poder merecer a vossa atenção.
Vários são os temas que podem ser explorados na freguesia de Vide: a tradição oral vasta, o cancioneiro, as práticas agrícolas, o ambiente sonoro… nesta edição opta-se pela água, elemento fulcral de toda esta região. Fica, no entanto, aberto o caminho para outras explorações sonoras.

image

O túnel

Não sabemos se é um túnel ou uma ponte! Seja o que for, foi construído com sabedoria e perfeição.
Definitivamente será um túnel, mas dos bons, pois consegue-se ver uma luz ao fundo. Do outro lado está a Ribeira do Alvôco. Noutro tempo, quando o rio era povoado de enguias, permitia a sua passagem até à Fonte do Ribeiro. Então bastava um garfo, e um pouco de paciência, para arranjar conduto para o almoço!
Hoje os seus congéneres servem para cortar relações, laços firmados pela Mãe Natureza. Desviam cursos de água, destroem habitats, roubam modos de vida naturais, ao norte, gastando esses recursos em estilos de vida económica artificial no sul (pode ser o inverso).
O desta fotografia tem uma dupla função: rodoviário e habitacional! Sobre ele foram construídas uma casa (falamos dela mais à frente) e a Estrada Nacional 230. Continua à espera que alguém se lembre que através dele se faria um acesso privilegiado às águas da ribeira. Até lá prefere continuar discreto, mas acessível aos que demandam os recantos da natureza, conduzindo à fala com o passado.

image

O Moinho da Fajunqueira

Entre casario esconde-se um moinho. Um de muitos que durante várias criações “moeram pão”. Tal como os seus irmãos de caminhada, ali se encontra abandonado a um canto, injustiçado pela “geração do pão de trigo”. Era moinho sazonal, trabalhava apenas durante o Inverno, no Verão a água, do Barroco da Ervideira, mal chegava para regar o milho e a horta!
Nos tempos da sua juventude, em que a vida corria alegre, tinha como companheiro de trabalho o vizinho lagar de azeite. Por vezes era visitado, furtivamente, pelos noctívagos lagareiros que roubavam um quilo de farinha para fazer um “bolo no tijelo” que era cozido na fornalha do lagar.
Cúmplice dessa vivência nunca denunciava os companheiros da labuta. Ainda hoje, quando por acaso passamos junto a ele, recusa-se a contar do que sabe a quem passa.
Tem uma mensagem para nós. Apesar de velho e abandonado não perde a esperança no futuro. Um dia alguém se vai lembrar de lhe dar “novo” uso!

image

Uma casa portuguesa

É uma casa portuguesa, com certeza! Foi pertença de um mestre ferreiro que a mandou construir na década de 1930.
Pode dizer-se que é uma casa suspensa, pois que, encontra-se implantada sobre um ribeiro, graças a um túnel abobadado cuja técnica nos legou a Civilização Romana.
Pedra de xisto assente em barro, respeitando a técnica tradicional de construção, exemplarmente executada pelos “Mestres Pedreiros” de Balocas.
A casa tinha uma mercearia que vendia café, “ao quarto de quilo”, e açúcar “às duzentas gramas”. O café tinha de ser moído num moinho, manual, que ainda se conserva no local. Também tinha uma taberna que servia vinho, aos “quartilhos e meios quartilhos”, acompanhado por bacalhau ou sardinha fritos.
Num canto específico, ficava a “bomba” do petróleo, que também era manual, e o barril do carboneto, ambos alimentavam os candeeiros das habitações e dos caminheiros. O sal também era vendido a granel desde as 250 gramas aos 50 quilos.
Conta-nos, pois, esta casa, modos de vida regulados pela escassez do dinheiro, que contrastam com o mundo consumista, e destruidor da natureza, que fazemos questão de tolerar!

image

A Fonte do Ribeiro

Meio escondido na aldeia ali está a fonte barroca, com toda a sua beleza, atestando a lenda que se declara como história: uma casa senhorial que existiu em tempos recuados, rodeada de esplendorosos jardins com lagos, fontes, repuxos e estatuária.
Uma história de Vide que está por fazer, e por confirmar, onde estes vestígios do património cultural local nos transportam a memórias firmadas sobre a tradição oral. Quem passa pela aldeia desconhece que é esta a mãe de todas as fontes. Da sua nascente derivam todas as outras que, antes da década de 1980, garantiam o fornecimento público de água à comunidade.
Possivelmente a sua construção remonta ao Século XVIII. Mas a idade e o estilo não importam para aqui. O contexto da vivência social que promoveu ao longo de séculos, com a “ida à fonte buscar um cântaro de água” ou os namoros apadrinhados ao som da sua água, assim como o requinte de quem a mandou talhar e construir, fazem-nos especular sobre um tempo ido, que se perdeu um pouco no caminho até à foz, deste mundo rural que se prepara para diluir na imensidão da história.
Dá-nos também uma lição de humildade. Afinal, sendo ela quem permite ao passeante admirar a beleza das suas filhas espalhadas pela aldeia, permanece ali no seu canto secular sem reclamar protagonismo. Desempenha a missão para que foi construída, deleite visual e matar a sede ao transeunte, tudo o resto, é “show on”.

Mar 2, 2012
Próxima página →
2012 2013
  • janeiro 8
  • fevereiro 1
  • março
  • abril
  • maio 3
  • junho
  • julho
  • agosto
  • setembro
  • outubro
  • novembro
  • dezembro
2012 2013
  • janeiro 71
  • fevereiro 4
  • março 6
  • abril 4
  • maio 5
  • junho 2
  • julho
  • agosto 2
  • setembro 5
  • outubro 4
  • novembro 3
  • dezembro 3